terça-feira, 16 de junho de 2009

Novo blog, antigo sonho

Foto sem crédito


Acabo de criar um novo blog, o Notas & Trillhas (www.notasetrilhas.blogspot.com). Será um espaço muito pessoal, que nasce com a pretensão de narrar um pouco do meu passado e presente em torno da música. A razão disso é que quero lançar um CD com músicas próprias. Também quero, ainda este ano, inaugurar uma página no MySpace com o registro de parte do repertório que estará no CD. Isso implica em muita coisa daqui pra frente e também em muita coisa daqui para trás. Então, além de relatar um pouco de como será essa produção, de comentar um pouco sobre a gênese das composições, entre outras coisas, no blog também quero mostrar como cheguei a esse projeto. As influências, as experiências, as pessoas, os instrumentos, os (quase) eternos hiatos. É isso. A coisa ainda não está bem formatada, mas irá ganhando corpo aos poucos, como acontece com todos os blogs. Querendo, apareça. Será uma grande alegria recebê-lo por lá.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O Nelson que o Nelsinho não quer ser

Nelsinho Piquet em foto sem crédito

Gosto de assistir às corridas de Fórmula 1. Não sou um daqueles aficionados, mas acompanho. Isso se deve muito pelas vitórias que os pilotos brasileiros conquistaram ao longo das últimas décadas, especialmente o Ayrton Senna. Cresci vendo os brazucas estourarem champagne nas manhãs de domingo. O campeonato, este ano, está interessante e estranho. As equipes que sempre estiveram na ponta, como a Ferrari e a McLaren, estão penando para marcar seus pontinhos. A coisa chata é que já tem um piloto pintando como provável campeão, o britânico Jenson Button (não, ele não é parente do Benjamin Button) e isso sem nem termos chegado à metade da competição.

Uma das coisas que está chamando a atenção este ano é a saga do estreante Nelson Ângelo Piquet, o Nelsinho Piquet. Definitivamente, o guri não está se dando bem, apesar de correr por uma das principais equipes do chamado circo, a Renault. Até aí, tudo bem, chegar ao estágio de competir nessa categoria é para poucos, e ter sucesso, então, é para menos ainda. O problema é que a situação do rapaz extrapola as pistas. Como todos sabemos, ele é filho do tri-campeão mundial Nelson Piquet. O Piquet nunca foi nem nunca fez muita questão de ser, uma pessoa simpática. Mas é um nome respeitadíssimo na história desse esporte e um cara inteligente.

Porém, parece que o Piquet não está se dando conta de que seu filho não nasceu pra ser um grande piloto, quiçá um campeão como ele. Como diz minha mulher, ela sim uma entusiasmada pela Fórmula 1, está na cara que o guri não gosta do que faz. Ou no mínimo não gosta de ter a obrigação de tentar ser um “novo Piquet”. Não gosta, não consegue e não vai ser. E o pior, está prestes a perder seu lugar na equipe atual, talvez até um lugar na própria categoria. Fico imaginando a pressão que ele vemsofrendo. Acredito que, inicialmente, o Nelsinho queria, sim, correr pela F-1. Claro, muita grana, muita fama, tudo parecia estar ao alcance das suas mãos, naturalmente, via sobrenome. E também, é bom que eu diga, pelo relativo sucesso que ele teve nas categorias “de entrada” da Fórmula 1. Porém, agora que ele está vendo que a coisa não é bem assim, acredito que esteja querendo mais é sumir dali. Porque ele não só já viu que nunca será um “novo Piquet”, como também já deve saber que corre o sério risco de ficar marcado para sempre como um mau piloto. À medida que ele vai tendo seguidos insucessos nas provas, mais ele se arrisca e mais exposto ao erro fica.

Ser filho de um pai famoso e vencedor, vencedor no sentido competitivo mesmo, como é o caso do Nelsinho Piquet, não é tarefa fácil. Principalmente quando o filho tenta se dar bem na mesma atividade em que o pai brilhou. Claro, o sobrenome abre portas, sem dúvida abre, mas também traz consigo uma carga muito grande de expectativa, de cobranças, de pressão. O risco da promessa virar uma decepção está sempre presente. Espero que esse moço encontre seu próprio caminho, coisa que, no fundo, é o que todos procuramos por aqui, seguirmos pelo caminho que escolhemos seguir, e da melhor forma possível.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Redescobrindo o Mikado

Receita com tofu, em foto sem crédito

Quando cheguei a Curitiba, em setembro de 1997, tudo era novidade. Ou praticamente tudo, já que eu conhecia o Bar do Alemão, no Largo da Ordem, e o restaurante Madalosso, no bairro de Santa Felicidade. Isso porque houve uma época em que cheguei a vir para cá algumas vezes com minha amiga Maria, passar o sábado à noite enchendo a caveira de chope no Alemão e o domingo comendo frango com polenta no Madalosso. A irmã mais nova da Maria estudava história na Federal, por isso tínhamos onde ficar por aqui.


Mas fora isso e alguns poucos parques, além de dois ou três cafés da Rua XV, eu nada mais conhecia de Curitiba. Justamente por isso, meu primeiro período curitibano foi muito gostoso. Eu vivia como um turista de domingo a domingo, olhava para tudo com olhos de turista. Acho que essa sensação durou uns dois anos, ou quase isso. É bom dizer que contei com o auxilio luxuoso da Heloisa, a Lolô (que hoje mora em Londres), que se dispôs a me levar a uma porção de lugares legais, especialmente aos restaurantes e bares mais bacanas.

Um dos restaurantes que eu conheci nesse trecho do tempo foi o Mikado, lugar muito simples na histórica e ainda não tão decadente Rua São Francisco, próxima ao Largo da Ordem. Eu gostava muito de ir lá quando trabalhava no centro. Depois, acabei indo para outras regiões e deixei de bater ponto no Mikado, até que me esqueci dele. Semanas atrás me dei conta de que voltei a passar meus dias da semana bem perto desse buffet de comida oriental naturalista. Desde então, voltei a frequentar a tigela fumegante de missochiro, as saladas sempre muito frescas e variadas, o gengibre ralado puro ou despejado no molho shoyu, os inúmeros cereais , os makizushi (espécie de sushi), o tofu servido in natura e de outras diversas maneiras, os legumes mais ou menos conhecidos, o frango empanado, o rissole de peixe, a infalível melancia cortada em pedaços sempre muito doces e as sobremesas às vezes estranhas, como a que comi ontem e até agora não sei o que era.


Foi uma redescoberta pra lá de agradável, alguns minutos em que esqueço de tudo e me concentro numa alimentação saborosa e muito saudável, que compensa os crimes gastronômicos que adoro cometer à noite. Falo de salaminho, de mortadela, de queijos e de alguma bebida, nada muito mais que isso.

Se você é de Curitiba e gostou da dica, anote:

Mikado

Rua São Francisco, 126 - Centro
Funciona de segunda a sábado, das 11h às 14h30
Buffet livre, que inclui suco e sobremesa: R$ 9,00

terça-feira, 2 de junho de 2009

Desvendado o místério...

Uma tiriva, espécie de periquito que está ameaçado de extinção, em foto de Orlando Kissner, publicada no blog do Zé Beto

Olha por que vive caindo pinhão já mastigado dos pinheiros ;-)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ela cantou

Nana Caymi, em foto sem crédito

Neste domingo, fiquei até tarde sintonizado na TV Globo, especialmente para ver e ouvir a Nana Caymi. Ela foi uma das cantoras que homenagearam Roberto Carlos no show "Elas Cantam Roberto", gravado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e que certamente deverá virar DVD. Claro que me interessavam outras cantoras anunciadas, como a Zizi Possi, a Luiza Possi e a Ana Carolina, por exemplo. Mas era pela Nana que eu mais aguardava, pois não me lembro de tê-la ouvido antes cantar algo do Roberto. O repertório da noite foi impecável, as músicas escolhidas foram, quase sem exceção, todas do período mais criativo e romântico do Rei. Mas o resultado acabou sendo muito desigual. A Sandy não se deu bem cantando num tom mais grave, já que sua voz costuma funcionar muito melhor quando transita pelas notas mais altas. A Marilia Pera inventou uma apresentação teatral em cima de uma das músicas mais chatas que o Roberto gravou em sua carreira, a "120...150...200 Km Por Hora". Confesso que me senti constrangido vendo aquilo, e acredito que muita gente sentiu o mesmo. Wanderleia e Daniela Mercury juntas foi um negócio que não deu liga, fora que o figurino escolhido por ambas não combinou com o palco do Municipal. Mas a Ana Carolina cantou muito, assim como a Claudia Leite, que me surpreendeu com sua interpretação. De se registrar o que foi a apresentação da Zizi e da Luiza Possi juntas. A Luiza é linda e tem muito talento, eu aposto muito nela. Mas deu a impressão de estar um pouco contida, talvez intimidada por fazer um dueto com a voz maravilhosa da mãe, que por sua vez pareceu ter se segurado um pouco, também, quem sabe para não se sobressair tanto, porque quem conhece a Zizi sabe que ali tem muito mais. Mas eis que ela entra. A Nana escolheu uma das mais doloridas canções do repertório romântico do Rei, a "Não se esqueça de mim", e emocionou, assim como deu impressão de quase ir às lágrimas, em determinados momentos. Foi muito bonito, para mim o ponto alto do show. Só não entendi por que colocaram o Roberto no palco para dizer o mesmíssimo texto bobo no início e no final do programa. Acho que alguém lá comeu bola na hora de editar o material, porque não fez o menor sentido. Na média, foi um programa irregular, como geralmente acontece num programa deste tipo. Porém, a ideia foi interessante e válida, ainda mais se a gente considerar que os musicais têm sido cada vez mais raros nas TVs abertas.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Sábado de manhã em São Paulo

Quem estiver em Sampa amanhã de manhã (não é o meu caso, infelizmente), apesar do frio ter baixado também por aquelas bandas, uma sempre ótima pedida é dar uma parada no Bar do Léo. Os que gostam de um chope bem tirado com espuma cremosa sabem onde fica: numa esquina da rua Aurora com a (se não me engano) rua dos Andradas, encravado naquele lugar tão suspeito quanto lindo, que é o centro velho da capital paulista. Bem atrás do prédio redondo do Instituto de Identificação, pertinho do final da avenida Ipiranga, lado oposto ao famoso cruzamento com a São João, imortalizado pelo Caetano e por um outro bar lendário, o Bar Brahma. Tem que chegar antes do almoço, porque aos sábados o Bar do Léo fecha no início da tarde, ou pelo menos era assim quando eu morava por lá.

Agora, pra quem mora em Curitiba (como é o meu caso), e sabe curtir o frio que faz nessa época, eu recomendo um bom chope escuro no copo caldereta, de preferência um da Brahma. Ah, e vá correndo, porque a Brahma está implantando aos poucos nos bares daqui aquela invenção ridícula que atende pelo nome de "Brahma black", uma bobagem marketeira que vai me obrigar a mudar de marca na hora em que eu quiser beber um chope escuro de verdade. Outra hora escrevo mais sobre essa história que não engulo e não vou engolir nunca. Bom final de semana!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Não fui mas gostei

As tirinhas da famosa sex symbol Amely, criação da não menos famosa Priscila Vieira, estão em exposição desde ontem no Centro de Criatividade de Curitiba.


terça-feira, 26 de maio de 2009

Ianellli, o maior


Arcangelo Ianelli, em tela do argentino Pablo Di Giulio, 1991


"Cervejaria Brahma", 1957

"Vibrações em vermelho", 2001

Eu já gostava demais do pouco que conhecia da sua obra, até que vi uma exposição no MASP que retratava toda a sua trajetória artística. Desde as pinturas figurativas, passando pela fase de transição nos anos de 1950 até a definitiva opção pela abstração - estilo de pintura de minha preferência - estava tudo lá: as composições geométricas, a profundidade da cor, a luz e a ausência de luz, tudo. Sempre pensei que se eu tivesse muita grana para gastar com obras de arte, seria uma tela dele que eu compraria por primeiro. Diante de uma pintura do Ianelli, sou capaz de permanecer por horas. Soube agora que ele se foi, aos 86 anos de idade, em São Paulo, cidade onde nasceu, onde nascemos.

Enquanto isso, no blog do Zé Beto

Foto de Roberto Corradini

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Valeu, Zé!

Zé Rodrix, que infelizmente nos deixou hoje. Foto de Drika Bourquim

Tive a felicidade de conhecer pessoalmente José Rodrigues Trindade, uma das cabeças mais criativas e produtivas que este país já teve. Além de cantor e compositor, era multiinstrumentista, produtor musical, escritor e publicitário. Meu contato com o Zé Rodrix aconteceu quando eu era redator estagiário da agência de publicidade JWT, de São Paulo, e acabava de aprovar meu primeiro roteiro de comercial para a TV. A produção, que seria ambientada em uma linda fazenda de café, contava com dois atores de primeira linha da propaganda e uma boiada de verdade. O produto era o Duotin, vacina para imunizar o gado, produzida pela gigante multinacional Merk, Sharp & Dohme.

O estúdio A Voz do Brasil, localizado em um amplo imóvel no bairro paulistano dos Jardins, já era na época uma das principais produtoras de áudio do mercado. Tinha como sócios, além do Zé Rodrix, o Tico Terpins (falecido em 1998), outra figuraça que, como o Zé, era também integrante do Joelho de Porco, grupo precursor do movimento punk no Brasil.

Lembro de ter ficado de queixo caído com as instalações da produtora, e mais ainda por ser recebido pessoalmente pelo Zé Rodrix, que ao saber que eu era um estagiário redobrou-se em gentileza e carinho. Fomos tomar um café em uma das salas da casa e conversar um pouco. Ele era a simpatia em pessoa, um cara acostumado a receber bem, um sujeito agradável e culto, absolutamente seguro da sua capacidade de cativar. Lembro muito bem dos seus olhos terem brilhado de surpresa quando revelei que possuía um LP dele, e que uma das músicas daquele LP, o belo blues “Exército da Salvação”, tinha servido de trilha para alguns dos meus romances na juventude. Ele sorriu com sinceridade e se disse feliz por saber daquilo, embora não gostasse de lembrar de sua carreira solo, desgostoso que tinha ficado com a indústria fonográfica.

O Zé levou a mim e à Naná, então produtora de rádio e TV da agência, até uma sala equipada com uma enorme mesa de som. Ele pôs para rodar a trilha que havia criado para o comercial, uma peça instrumental que deveria conter elementos rurais, mas não poderia ser “caipira”, já que iríamos falar com grandes produtores, gente que geralmente nem vive nas fazendas. Assim que a música começou me encantei com a qualidade do material. O tema era lindo e certeiro, pontuava as cenas e os diálogos com precisão e atendia exatamente ao que esperávamos e precisávamos. Perfeito, bastava finalizar.

Nos despedimos satisfeitos com o resultado da “parceria”. Deixei claro que me senti feliz e honrado por ter trabalhado com ele, ao que ele agradeceu e desejou que nos víssemos de novo. Isso aconteceu somente uma outra vez, quando fui assistir ao ensaio do espetáculo "Não Fuja da Raia", cuja direção musical era do Zé Rodrix. Fui na qualidade de aluno de um curso de teatro, do qual também fazia parte a futura atriz Milla Christie. Assim que entramos vimos a Cláudia Raia no palco, jogando seus quilômetros de pernas pro ar. Olhei para a primeira fila de poltronas e lá estava ele, fazendo anotações, comentando, orientando, atento a tudo. Colocando mais uma vez seus múltiplos talentos a serviço da arte.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Você viu o que eu vi? (final)

Rua de São Thomé das Letras. Foto sem crédito


Eu já estava me preparando para amanhecer por ali mesmo. Se caísse no sono, tanto melhor. A idéia de ser acordado pelos primeiros raios de sol vindos daquele horizonte fantástico me parecia mais do que perfeita. Mas a vontade de descer, procurar um bar aberto e tomar um trago de uma bebida qualquer, também não soava nada má. Eu disse “bebida qualquer”, porque àquela altura São Thomé das Letras não oferecia nada muito animador em termos de bares e restaurantes. E onde se lê “nada”, entenda-se nada mesmo. Atualmente, não sei como está por lá. Mas em uma cidade povoada por um considerável contingente de malucos – no melhor dos sentidos – um boteco qualquer haveria de permanecer aberto madrugada adentro, ainda mais no final de semana. Mas voltemos ao céu, às zilhões de estrelas, à paciente espera por algo que não sabíamos o que seria nem se viria.

Eis que, do nada, acontece. Do nada significa de uma hora para outra. Quer dizer, de um pentelhésimo de segundo para outro, num piscar de olhos, sem prévio aviso, sem nada que trouxesse pistas de que ele viria.

– Gente, o que foi isso? – Minha nossa, esquentou tudo! – Eu senti um tranco no chão, parece que mexeram na montanha. – Não é possível, será? – Meu, eu nunca vi uma luz assim.

Imagine que Deus virou um fotógrafo amador. Aliás, antes disso, imagine que você não só acredita em Deus como acha que Ele é um sujeito enorme, boa pinta, longa barba branca e cabelos idem. Pensou no Antonio Fagundes naquele filme? Ok, vamos ficar com essa referência. Pois o Todo Poderoso acaba de comprar uma máquina fotográfica digital power, daquelas com 48 mega pixels (é, pra Ele já tem máquina assim). E resolveu testá-la bem naquela noite, bem com aqueles rapazes e moças que, Ele não sabia por que, não queriam sair do relento de jeito nenhum, Deus me livre!

Do nada, recebemos um poderoso flash vindo do céu. Um clarão instantâneo , intenso, que produziu calor e uma sensação de energia física que um sentiu como um tranco, outro sentiu como uma descarga elétrica, outro não sentiu nada, apenas viu e ficou pasmo. Tudo clareou de repente, como se tivesse sido atingido por um relâmpago seco. Nossos rostos, nossas mantas, a cruz de madeira sobre nós, o quartzito da montanha, toda a área ao redor, tudo ficou claro sob a luz daquele imenso flash. Olhamos uns para os outros. Deu medo. Um certo medo de não saber nem descrever aquilo, de não saber se era tudo ou viria mais. Eu pensei no bar. Minha amiga pensou no Spielberg. O ufólogo se adiantou em dizer “não me perguntem o que foi isso, que não faço a menor idéia”. E agora? Ficamos mais? Claro que sim. Se viemos até aqui, vamos até o dia nascer. Não deu. Minutos depois desse evento, dois caras que deviam estar chegando àquela hora de Woodstock, violão em punho e aura de erva no ar, vieram se sentar ao pé do cruzeiro para cantar algo do Beto Guedes. Mas numa rotação bem mais lenta que a gravação original.

Era hora de levantarmos acampamento. Lá embaixo, em uma das ruas de pedra da cidade, achamos aberto um boteco. O casal que estava com a gente foi para a pousada. Ficamos eu, minha amiga, o ufólogo e o fotógrafo conversando sobre a noite, suas luzes, São Thomé e seus malucos, dos quais já desconfiávamos fazer parte. Tudo acompanhado por três garrafas de um vinho ordinário que o dono do bar garantiu ser um tinto “muito bom!”. O domingo nos encontrou saindo do bar. Dormir já não era necessário. Um café com leite, pão, manteiga e queijo branco, isso sim. Ah, e doce de leite, daqueles cremosos que só Minas faz. Daqueles que só comendo pra crer.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Você viu o que eu vi? (parte 2)

Imagem obtida pelo telescópio espacial Hubble


(continuação do post anterior)

De vez em quando, algum de nós soltava um comentário qualquer pra quem estava deitado ao lado, mas ninguém se manifestava muito. O povo parecia tomado por um misto de cansaço e admiração, e parecia também realmente disposto a cumprir à risca a recomendação do nosso ufologista, de que não fizéssemos nenhuma agitação desnecessária.

Eu não tenho mais certeza do horário em que aconteceu, mas acredito que estávamos perto das 2 da madrugada. Definitivamente, aquilo não era um evento normal. Imagine-se olhando para o firmamento numa noite de teto de planetário. Multiplique essa sensação por dois. Agora, olhe para o lado esquerdo dessa tela imaginária e veja uma luz se sobressair em meio a infinitos pontos luminosos. Pois essa luz vai começar a se deslocar para a direita, quase em linha reta, numa velocidade que lembra um avião em curso. Até aí, nada tão retumbante, a não ser por um detalhe: durante todo esse trajeto, o objeto iluminado irá riscar o céu com uma linha de luz que permanecerá intacta desde o seu ponto de partida até o final da trajetória, que acontecerá do lado direito da tela. E mais: assim que o objeto chegar ao final do seu trajeto, ela irá parar por um instante, o suficiente para você conferir que o rastro de luz continua lá, inteirinho, para só então se apagar, levando com ele, aí sim, todo o rastro que quase dividira o céu em duas partes.

– Você viu o que eu vi? – Vi! – Caramba, o que foi aquilo? – Não faço ideia. – Será que era um cometa? – No começo, achei que fosse um avião. – Mas não pode ser avião, não era avião, não. – Cometa também não era, eu acho. – Meu, que coisa linda! – Tô arrepiada até agora.

Aos poucos, todos voltamos a ficar em silêncio, na certeza de que mais coisas iriam acontecer naquela noite. Eu olhei para a minha amiga, que estava deitada bem ao meu lado, e concordamos pelo olhar que aquele era um momento especial. Nosso amigo ufólogo não se manifestou de pronto, apenas pediu que continuássemos observando. Estaria ele também meio embriagado com o objeto luminoso?

Deve ter passado mais uma hora de espera, e voltamos à rotina das estrelas cadentes, que também começavam a rarear. Parte do povo iniciou uma debandada de volta à pousada, tinha ficado muito tarde e ainda mais frio. O cansaço da viagem na madrugada anterior e do dia cheio de atividades estava pegando. Quase todos decidiram descer a montanha pra dormir. Ficamos apenas eu, minha amiga, o ufólogo, o fotógrafo e mais um casal de namorados, aliás, o único casal oficial entre todos que tinham saído de São Paulo. Demos boa noite a todos que saíram e mantivemos os olhos voltados para o alto. Aliás, os olhos continuavam abertos por pura teimosia, por curiosidade, por amor às coisas da vida. Essa meia-dúzia de teimosos que lá permaneceu seria recompensada com outro evento fora do comum.


(continua)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Você viu o que eu vi?

A cruz do Morro do Cruzeiro, em São Thomé das Letras. Foto de Luiz Felipe Brandão

Com o perdão do trocadilho, São Thomé das Letras é uma cidade mineira que só vendo pra crer. Surgida no alto de uma montanha de quartzito, fica a quase 1.500 metros acima do nível do mar. É considerada mística, por isso grande parte do turismo local se baseia na exploração do universo exotérico. Por suas ruas e construções todas feitas de pedra fatiada e empilhada, topei com algumas figuras humanas interessantíssimas, muitas das quais largaram tudo para viver naquele cenário que parece saído da imaginação daquelas próprias figuras.

Considerada uma das localidades brasileiras mais propícias para a observação de fenômenos extraterrestres (isso mesmo), São Thomé é muito visitada por quem, de alguma forma, se interessa pelo estudo da vida em outros planetas. Não é exatamente o meu caso, mas como jamais duvido do que não conheço, juntei-me a alguns amigos do IPEN, Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares da USP, alugamos um ônibus e partimos de São Paulo, numa noite de sexta-feira já perdida no tempo. Na viagem, nos acompanhavam um fotógrafo profissional e um ufologista, convidado por nós para nos ajudar a entender o que poderíamos encontrar, se é que encontraríamos.

Na estrada, tivemos nosso primeiro contato com fatos inexplicáveis: o ônibus tinha toca-fitas, mas só havia uma fita K-7 a bordo, que tinha sido levada pelo motorista. Assim, ouvimos "The Best of ABBA" quase a noite toda...
Chegamos na cidade no início da manhã, depois do ônibus subir, subir e subir o sinuoso caminho que levava ao topo daquela grande pedra. Após um café reforçado, saímos para conhecer os arredores, as cachoeiras, corredeiras, piscinas naturais de água trincando de gelada, grutas e também a devastaçao ao meio ambiente, promovida pelas inúmeras pedreiras instaladas no entorno. Naquele final de sábado, caiu uma noite muito fria e de céu limpo. Um banho e um delicioso prato de arroz-feijão-ovo frito-linguiça-couve, saído do fogão a lenha de um restaurante muito simples e aconchegante, foi o que precisamos para nos refazer do dia e partir rumo ao Morro do Cruzeiro, de onde se tem uma visão 360º de tirar o fôlego. Devido à completa falta de iluminação ali em cima e à noite absurdamente cristalina, nosso ufólogo já foi avisando que possivelmente veríamos alguma coisa, mas que não seria necessariamente algum fenômeno extraterrestre. O simples fato de olharmos para o céu numa noite daquelas, num lugar daquele, era certeza de presenciar eventos astronômicos que em uma cidade como São Paulo não havia como presenciar.

Chegamos ao morro éramos umas 20 pessoas. Agasalhados e embrulhados em mantas, deitamos no chão de pedra, os olhos todos voltados para o céu. Nenhum de nós nunca vira tanta estrela. O combinado era que se alguém reparasse algo diferente, que alertasse aos outros. Em silêncio, passou uma hora, passaram duas, talvez três. Tirando várias estrelas cadentes, que logo caíram na rotina, nada de realmente notável havia acontecido. A noite, porém, continuava linda. E prometia.
(continua)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Mãe do Samba

Dona Ivone Lara dando "a bença" para Moacyr Luz, em foto publicada no site do Moa

Ela foi a primeira mulher a integrar a ala dos compositores de uma escola de samba, no caso, a Império Serrano, do meu parceiro Wilson das Neves. Quem a conhece, garante que ela emana uma energia que ilumina tudo e todos que estiverem por perto. Grande compositora, excelente cantora, se existe uma mulher que pode ser chamada de "Mãe do Samba", esta mulher é Dona Ivone Lara. E é na figura desta pessoa iluminada que desejo um lindo Dia das Mães.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Eu e a Miss

Léa Silvia Dall'Acqua, Miss São Paulo 1979, em foto sem crédito

Silvia Novais, Miss São Paulo 2009, em foto sem crédito

Ainda um pouco nessa toada nostálgica que iniciei com o post sobre a Mônica, na semana passada, eis que no próximo sábado teremos o concurso Miss Brasil 2009. Isso mesmo, aquele evento pra lá de cafona vai acontecer de novo. No passado, o concurso tinha grande repercussão na mídia e atraía a atenção do público televisivo (palavrinha antiga, né?). Ainda hoje, muita gente assiste e torce por suas candidatas favoritas, mas o interesse caiu muito.

A mais famosa delas certamente foi a baiana Martha Rocha, a primeira Miss Brasil, eleita em 1954, que até virou nome de torta nas confeitarias de Curitiba. E uma torta muito da gostosa, diga-se. Tivemos também a Vera Fisher, que representava Santa Catarina e se elegeu em 1969, partindo daí para uma carreira de destaque como atriz. Além das duas, raras foram as misses que conseguiram sobreviver na mídia após o concurso.

Minha história com essas beldades (outra palavrinha antiga) é curta e pouco importante, mas aconteceu. Eu era office-boy (função extinta há tempos) de um jornal de bairro em São Paulo, a "A Gazeta da Zona Norte". Foi meu primeiro emprego, conseguido aos 14 anos, numa época em que o trabalho, ao menos para os meninos das classes mais populares, começava oficialmente nessa idade. Certa vez, fui incumbido de ir à casa da Léa Silvia Dall'Acqua, recém eleita Miss São Paulo. Ela era modelo e morava em Sampa, no bairro de Santana, apesar de ter concorrido como representante da cidade de Campinas. Eu tinha que buscar um envelope com fotos dela, que seriam publicadas no jornal para ilustrar uma matéria alusiva à conquista.

Lembro que ela me atendeu na sala de um sobrado comum de classe média, e me pareceu ser realmente uma mulher bonita. Bonita e delicada. Confesso que eu não tive, assim, muita noção de que estava diante de uma mulher bonita. Apenas peguei o envelope das mãos dela, agradeci e fui-me embora. Mas que me senti animadinho, isso me senti. Na volta, já dentro do ônibus, claro que abri o envelope pra espiar as fotos ;-)

Sei que depois ela ficou em terceiro lugar no concurso de Miss Brasil, ganhando o direito de representar o país no Miss Mundo, em Londres, onde se classificou em sexto lugar. Nunca mais ouvi falar dela. Uma curiosidade, se posso falar assim, é que a representante de São Paulo que vai concorrer no próximo sábado ao Miss Brasil, 30 anos depois do meu encontro com a Léa, também representou Campinas e também tem Silvia no nome. Só isso. Não falei que era algo sem importância?

terça-feira, 5 de maio de 2009

Samba para Teresa

Praga, 1968, em foto sem crédito

Foi uma lembrança literária que me veio a partir de uma frase linda dita por uma amiga acerca do amor, ou mais exatamente acerca do desamor, e que me inspirou um samba recente. Trata-se do livro “A Insustentável Leveza do Ser”, do tcheco Milan Kundera. Não é um livro fácil, posto que todo acompanhado de reflexões filosóficas; não é uma história fácil, posto que gira em torno de um triângulo que eu me nego a chamar de “amoroso”, embora o seja, e que tem como pano de fundo o esmagamento da Primavera de Praga pelas forças russas, em 1968.

À “leveza”, ilustrada no livro pelo descomprometimento – isso pra não me alongar muito – do sedutor médico Tomas (e também de sua parceira Sabina), opõe-se o “peso”, representado pela chegada da personagem Teresa. Ou, em uma outra interpretação possível, a “liberdade” em contraposição com a “não-liberdade”.

Não tenho uma memória bem definida do desfecho do romance. Aliás, pode ser que eu nem tenha chegado às últimas páginas, mas sei do mal estar que permeou toda a história, do sofrimento de Teresa ao permitir-se aceitar o desprezo de Tomas a tudo que, para ela, ele representava. Desprezo travestido de compaixão que, como se sabe, pode ser um dos sentimentos humanos mais terríveis.


O samba que fiz não tem nada desse clima, porque quis relatar uma espécie de “redenção às avessas” de uma possível Teresa que tivesse ido além da indiferença de Tomas; que tivesse se dado conta de que foi ela quem finalmente deu algum sentido à vida daquele “tão leve” ser. Acho que as pessoas que puderem ouvir o samba, um dia, irão entendê-lo exatamente pelo que ele é, um desabafo, um gostoso desabafo pra ser cantado de peito aberto e sorriso nos olhos. Ah, a Primavera também entrou na letra, claro.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um dia de paparazzi

Princesa Diana em foto de Gláucia Salles

Verão europeu de 1996. Eu e meus amigos paulistanos Ivo, Mara e Gláucia curtíamos um giro maravilhoso de 40 e poucos dias pela Europa, que incluiu algumas das principais cidades da Espanha, Itália e Alemanha, além de uma passadinha pela Áustria. Naqueles exatos dias andávamos encantados por Roma quando, após subirmos a escadaria da Piazza Spagna, eu e a Gláucia deparamos com uma pequena aglomeração de pessoas em frente a um prédio muito charmoso. O Ivo e a Mara tinham ido à estação ferroviária comprar nossas passagens pra Veneza. Perguntei a um dos que lá estavam o que acontecia e ele respondeu “Princess Di”. Aquele prédio baixo e sem qualquer sinalização era, na verdade, um hotel de luxo, e de lá de dentro sairia, a qualquer instante, aquela que era então uma das mulheres mais famosas e queridas do mundo, a Princesa Diana. Decidimos fazer o mesmo que as 40 ou 50 pessoas e esperar alguns minutos.

Comentei com a Gláucia que se aquilo acontecesse no Brasil, certamente a aglomeração seria bem maior e, provavelmente, bem menos calma. A maquina fotográfica, ainda aquelas “de filme”, estava comigo, mas a entreguei à Gláucia, que é uma mulher de 1,80m, portanto, mais indicada que os meus 1,75m para conseguir uma foto no meio de europeus bem alimentados.

Nisso chegou um carro preto, se não me engano um Rolls Royce. O carro encostou próximo à entrada do hotel e as pessoas passaram a ficar mais ansiosas, ela ia aparecer. Dito e feito, junto à porta de vidro do hotel que se abria surgiu a belíssima princesa e seus olhos e sorriso luminosos. Ela acenou para as pessoas, que aplaudiam emocionadas. A Gláucia tirou 2 ou 3 fotos dela saindo do prédio e indo até o carro, acompanhada de um casal por nós desconhecido. Foi quando a Gláucia teve a ideia de se virar para o lado contrário, pois aquela rua estreita só permitiria que o carro saísse por ali, nós que estávamos posicionados entre os últimos da pequena turba. O carro passou exatamente colado a nós, em velocidade baixa o suficiente para que pudéssemos obter esta imagem aí de cima.

Quase que um ano após isso, Diana morreria em Paris, tentando se desvencilhar de implacáveis paparazzi.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Que Tio Patinhas, que nada


Soube ainda agorinha que uma mulher que não conheço nunca foi, como eu também nunca fui, para a Disney. Não sei quantos anos ela tem hoje, mas pelo que consegui entender, ela não foi para a Disney aos 10 anos de idade, quando sua melhor amiga de então teve essa oportunidade. Eu não fui a vida inteira, como ela. E também, como ela, isso não me fez nenhuma falta. Eu também me contentava – e demais – com meus gibis da Turma da Mônica e com alguma coisa, qualquer coisa que eu pudesse fazer de bola e me imaginar um craque de futebol. Valia tudo: tampinhas, meia enrolada, papel amassado, pedra, até bola valia. Da Disney eu nunca tive nada nem esperei nada, simplesmente porque nunca me senti atraído por aquele universo tão distante.

Distante não apenas pelo aspecto geográfico, distante por tudo, sabe? Desde o traço dos desenhos aos roteiros das histórias, dos cenários aos personagens, da linguagem às tramas inverossímeis, tudo me parecia não ter nada que ver comigo, com meu mundo. Pensando nisso hoje, acredito que grande parte da minha rejeição vinha do fato de que a Disney sempre quis humanizar demais seus personagens. Os patos pareciam gente, os ratos e os cães pareciam gente, era tirado deles praticamente todo traço, todo vínculo que eles pudessem ter com o bicho que eles eram, e isso os tornava seres indefinidos, estranhos, esquisitos aos meus olhos de menino. Claro, é bom que eu diga aqui que, na minha infância, a Disney não era nem sombra do negócio que se tornou tempos depois, especialmente em termos turísticos. Mas já havia crianças que iam para lá e voltavam encantadas, exibindo aquelas tiaras de orelhas do Mickey, entre outros souvenirs de gosto duvidoso.

Acho que a única coisa da Disney que fiz questão de conhecer foi a refilmagem digitalizada do filme “Fantasia”, reconhecido, com toda justiça, como um clássico da animação. No mais, nada. Desenho animado, para mim, sempre foram aqueles do estúdio Hanna-Barbera (que só bem depois eu vim descobrir serem duas pessoas, dois criadores, e não o nome de uma só pessoa, no caso, uma mulher, com eu imaginava que fosse). Não sei se todos são criação dos geniais William Hanna e Joseph Barbera, mas eu curtia demais Manda-Chuva, Zé Colméia, Pepe Legal, Leão da Montanha, Os Herculóides, Os Flintstones, Lippi e Hardy, Wally Gator, Os Impossíveis e tantos outros que não havia espaço para mais nada. Corrigindo, havia, havia espaço e muito para os gibis do Mauricio de Souza. Sempre gostei demais do Rolo, do Cebolinha, do Louco, do Chico Bento, daquela turma toda tão brasileira como eu e meu quintal. Claro, não posso deixar de citar a personagem principal, a Mônica.

Vem cá, você conheceu o Tio Patinhas pessoalmente? Não, não falo de um cara fantasiado de Tio Patinhas. E o Donald, em pessoa ou em pato, esteve com ele alguma vez? Clarabela, Pateta, Mickey, você conversou com algum deles de verdade? Pois eu conheci a Mônica. Sim, a Mônica da Turma da Mônica. Conheci, dancei com ela e rimos muito depois que uma amiga me revelou que aquela figura com quem eu me divertia naquela festa da Editora Abril em São Paulo era ninguém menos que a Mônica. A Mônica dos meus gibis ali, na minha frente, em carne e osso. Coisas assim, a Disney nunca poderia me oferecer.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Eu sou um homem

Megan Fox em foto sem crédito

Sim, essa moça aí em cima, eleita em uma enquete on line a atriz mais sexy de 2008, saiu-se com essa pérola dias atrás: "Eu sou uma transexual. Eu sou um homem. Eu sou tão insegura." Ah, tá. Como disse um amigo meu - E que homão, hein! Depois dessa, melhor encerrar a quarta-feira.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Calma

Imagem sem crédito

É um chavão daqueles, mas dos mais verdadeiros: a Natureza é sábia. No Outono, com a diminuição das chuvas e as periódicas estiagens, os recursos que nutrem plantas e árvores se tornam escassos: água, húmus, insetos polinizadores, etc. O que faz nossa mestra maior? (se vc nunca percebeu o quanto a Natureza pode ensinar sobre a vida, apresse-se) Ela reduz na flora a necessidade pelo alimento, fazendo cair folhas e galhos. Ao mesmo tempo em que as árvores demandarão menos seiva, essas folhas no chão criam uma forragem que ajuda a conservar a umidade da terra e a sobreviver um tão numeroso quanto frágil ecossistema microbiológico. É quando as árvores assumem um aspecto lúgubre, espectral, que embora lembre a morte, na verdade é exatamente o contrário. Aí, chega o Inverno. Ele vem na sequência (enquanto você treme e se recolhe) só para dizer - Calma... só mais um pouquinho e você estará pronto para renascer ainda mais belo e intenso do que antes.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

50 anos e uma música

Roberto Carlos em foto sem crédito

No último 19 de abril, ele completou 68 anos de idade. Ele, o cantor e compositor Roberto Carlos, que ostenta até hoje o título de Rei. Rei do disco - vendeu zilhões ao longo da carreira - rei da música romântica, rei de popularidade. Goste-se ou não do Roberto, não dá pra ignorar a presença dele na nossa cultura popular, desde seu surgimento para o público, na época da Jovem Guarda, até a fase mais prolífica das décadas de 1970/1980, quando a cada final de ano ele lançava ao menos meia dúzia de clássicos românticos.

Neste 2009, o Rei comemora 50 anos de carreira. Um show comemorativo já aconteceu no próprio dia 19 de abril, em Cachoeiro do Itapemirim, Espírito Santo, sua cidade natal. Não sei exatamente o que se deu por lá, mas não duvido que tenha sido um coquetel de sucessos e emoções, no palco e na platéia.

O mais próximo que estive do Roberto, se se pode dizer assim, foi quando conheci sua filha, a Luciana, que era amiga da divertida Ana Lúcia, com quem trabalhei em São Paulo. Foram apenas dois contatos, e guardo dela a imagem de uma mulher de beleza surpreendente e sorriso luminoso. Assim como aconteceu em várias famílias das classes populares do país, que se formavam na época em que o artista era praticamente uma unanimidade nacional, na minha também existe uma homenagem ao Rei. Minha irmã mais nova nasceu em um 19 de abril, por isso recebeu o nome de Luciana.

Os discos do Roberto, na forma de LP, estavam entre os mais ouvidos na vitrola de casa, que tinha quase o tamanho desses freezers verticais, uma peça linda, toda de madeira, da extinta marca Telefunken. Minha mãe era fã de todo o pessoal que vinha da Jovem Guarda, então era natural que ouvíssemos muita coisa do Rei. Ainda hoje sei cantar quase todas as músicas que ele gravou em sua fase mais criativa, e isso é algo que não me furto a confessar.

Confesso mais que isso. Confesso que tenho uma música que ficaria linda na voz dele, uma que compus aos 17 ou 18 anos de idade, por aí. Tenho certeza que ela caberia perfeita na voz e na interpretação do Roberto, mas quando conheci a filha dele eu estava tão afastado das coisas da composição, do sonho da música, que deixei passar a oportunidade de pedir que ela mostrasse o material pro pai famoso. Quem sabe um dia isso acontece do jeito que tem que ser, não é?

Repaginado est


Ok, se estou disposto a retomar isso aqui, e na verdade estou, então que seja pra valer. Depois de praticamente 4 meses de ausência, parece até que se torna imprescindível dar uma nova cara a este espaço. Mesmo porque, o escopo inicial que me fez criar isso aqui já foi pra cucuia há muito tempo. Então, aqui está uma nova cara. Fui do bege pro negro. Com isso, acho que ganho, no mínimo, na coisa do contraste, tanto para o texto quanto para as imagens, especialmente no caso das imagens em cores. O preto também traz uma certa carga de vibração às avessas. Costumamos associar energia e vibração a cores quentes, como o vermelho, por exemplo. Por sua vez, o preto é tido como a cor do isolamenteo, da distância. Pela cromoterapia, isso é correto. Mas o tipo de vibração que o preto traz pela possibilidade de contraste, de realçar tudo o mais, não pode ser desconsiderado. Menos ainda sua elegância e sofisticação.

Agora, vamos ao que importa: aos posts. Agradeço particularmente aos amigos blogueiros pelas boas-vindas. E se preparem, porque não vou poupá-los das minhas tradicionais visitas furtivas ;-)

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Tô voltando?

O poeta cubano José Martí (1853 - 1895)

“Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto, eu tô voltando...”, diz o samba quase tão antigo quanto eu, da dupla Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro. Acho até que já usei essa letra aqui. Nela, o nosso amigo está avisando a mulher que vai voltar pro Brasil, depois de um período de exílio político. A ditadura militar dava seus últimos suspiros e a abertura já produzia seus efeitos benéficos, entre os quais o mais importante era esse mesmo, trazer de volta gente de grande valor.

Não sei se tô voltando mesmo, mas tive vontade de vir aqui depois que passei pelo estreante blog da Luciana, figuraça que conheci em Campinas. É um blog literalmente delicioso, esse Tomates Frescos, pois trata, ao que tudo indica, das coisas dos pratos e dos copos, pois a Lu, jornalista de profissão, sabiamente garrou fazer um curso de gastronomia, de chef de cozinha, dessas coisas que valem a pena.

De lá pulei pro blog do Bruno Ribeiro, também campineiro e também jornalista, de onde pincei uma definição que, segundo o Bruno, está no Dicionário do Pensamento Martiano, uma compilação das ideias do poeta cubano José Martí. É uma frase simples e linda, como costuma ser a maior parte das coisas simples:

Amor – Amar nada mais é do que um modo de crescer.

Que o amor nos aumente.