terça-feira, 5 de maio de 2009

Samba para Teresa

Praga, 1968, em foto sem crédito

Foi uma lembrança literária que me veio a partir de uma frase linda dita por uma amiga acerca do amor, ou mais exatamente acerca do desamor, e que me inspirou um samba recente. Trata-se do livro “A Insustentável Leveza do Ser”, do tcheco Milan Kundera. Não é um livro fácil, posto que todo acompanhado de reflexões filosóficas; não é uma história fácil, posto que gira em torno de um triângulo que eu me nego a chamar de “amoroso”, embora o seja, e que tem como pano de fundo o esmagamento da Primavera de Praga pelas forças russas, em 1968.

À “leveza”, ilustrada no livro pelo descomprometimento – isso pra não me alongar muito – do sedutor médico Tomas (e também de sua parceira Sabina), opõe-se o “peso”, representado pela chegada da personagem Teresa. Ou, em uma outra interpretação possível, a “liberdade” em contraposição com a “não-liberdade”.

Não tenho uma memória bem definida do desfecho do romance. Aliás, pode ser que eu nem tenha chegado às últimas páginas, mas sei do mal estar que permeou toda a história, do sofrimento de Teresa ao permitir-se aceitar o desprezo de Tomas a tudo que, para ela, ele representava. Desprezo travestido de compaixão que, como se sabe, pode ser um dos sentimentos humanos mais terríveis.


O samba que fiz não tem nada desse clima, porque quis relatar uma espécie de “redenção às avessas” de uma possível Teresa que tivesse ido além da indiferença de Tomas; que tivesse se dado conta de que foi ela quem finalmente deu algum sentido à vida daquele “tão leve” ser. Acho que as pessoas que puderem ouvir o samba, um dia, irão entendê-lo exatamente pelo que ele é, um desabafo, um gostoso desabafo pra ser cantado de peito aberto e sorriso nos olhos. Ah, a Primavera também entrou na letra, claro.

Um comentário:

(l' excessive) disse...

Dava um dedo pra ouvir a canção.
Concordo contigo qto. ao enredo do AINSUSTENTÁVEL LEVEZA. O que me segurou até a última página foi o cenário: Praga.
E no filme, Daniel Day-Lewis!
;o)
Qto. a seu comentário lá na minha postagem do Copo Vazio, sabes que fiquei na dúvida na hora de colocar o nome de Chico. Tava sem certeza de ser ele o autor, mas com preguiça de ir a cata de confirmação. Sabia, sim que estava no disco SINAL FECHADO, mas mesmo assim não caiu minha ficha.
Valeu seu esclarecimento!
Abraço, e sucesso, amigo!