sexta-feira, 15 de maio de 2009

Você viu o que eu vi? (parte 2)

Imagem obtida pelo telescópio espacial Hubble


(continuação do post anterior)

De vez em quando, algum de nós soltava um comentário qualquer pra quem estava deitado ao lado, mas ninguém se manifestava muito. O povo parecia tomado por um misto de cansaço e admiração, e parecia também realmente disposto a cumprir à risca a recomendação do nosso ufologista, de que não fizéssemos nenhuma agitação desnecessária.

Eu não tenho mais certeza do horário em que aconteceu, mas acredito que estávamos perto das 2 da madrugada. Definitivamente, aquilo não era um evento normal. Imagine-se olhando para o firmamento numa noite de teto de planetário. Multiplique essa sensação por dois. Agora, olhe para o lado esquerdo dessa tela imaginária e veja uma luz se sobressair em meio a infinitos pontos luminosos. Pois essa luz vai começar a se deslocar para a direita, quase em linha reta, numa velocidade que lembra um avião em curso. Até aí, nada tão retumbante, a não ser por um detalhe: durante todo esse trajeto, o objeto iluminado irá riscar o céu com uma linha de luz que permanecerá intacta desde o seu ponto de partida até o final da trajetória, que acontecerá do lado direito da tela. E mais: assim que o objeto chegar ao final do seu trajeto, ela irá parar por um instante, o suficiente para você conferir que o rastro de luz continua lá, inteirinho, para só então se apagar, levando com ele, aí sim, todo o rastro que quase dividira o céu em duas partes.

– Você viu o que eu vi? – Vi! – Caramba, o que foi aquilo? – Não faço ideia. – Será que era um cometa? – No começo, achei que fosse um avião. – Mas não pode ser avião, não era avião, não. – Cometa também não era, eu acho. – Meu, que coisa linda! – Tô arrepiada até agora.

Aos poucos, todos voltamos a ficar em silêncio, na certeza de que mais coisas iriam acontecer naquela noite. Eu olhei para a minha amiga, que estava deitada bem ao meu lado, e concordamos pelo olhar que aquele era um momento especial. Nosso amigo ufólogo não se manifestou de pronto, apenas pediu que continuássemos observando. Estaria ele também meio embriagado com o objeto luminoso?

Deve ter passado mais uma hora de espera, e voltamos à rotina das estrelas cadentes, que também começavam a rarear. Parte do povo iniciou uma debandada de volta à pousada, tinha ficado muito tarde e ainda mais frio. O cansaço da viagem na madrugada anterior e do dia cheio de atividades estava pegando. Quase todos decidiram descer a montanha pra dormir. Ficamos apenas eu, minha amiga, o ufólogo, o fotógrafo e mais um casal de namorados, aliás, o único casal oficial entre todos que tinham saído de São Paulo. Demos boa noite a todos que saíram e mantivemos os olhos voltados para o alto. Aliás, os olhos continuavam abertos por pura teimosia, por curiosidade, por amor às coisas da vida. Essa meia-dúzia de teimosos que lá permaneceu seria recompensada com outro evento fora do comum.


(continua)

4 comentários:

(l' excessive) disse...

Ai, meus sais!
Continue logo esta história fantástica que morro de curisidade!

ipaco disse...

Querido Marcelo, estou chegando aqui no seu pedaço. Não conhecia seu blog. Vou pôr um link lá no Pendura. Abraço. pt

Marcelo Amorim disse...

Paulo, agradeço muito sua gentileza. Aliás, eu não tinha visto os links do seu blog, qualquer hora dou uma vasculhada pra ver o que tem por lá.

Liz, só mais um pouquinho, calma...rs. Esse suspense todo é manha de blogueiro sem tempo e assunto ;-)

adelaide amorim disse...

Sabe que já passei toda a madrugada junto com um grupo de amigos que esperava um acontecimento assim? Mas - que pena - nada aconteceu. Espero ansiosa o próximo lance.
Beijo.